Um centro de estudos e práticas agroecológicas no coração da Mata Atlântica, a 70 km de São Paulo, onde ciência, ancestralidade e trabalho de campo regeneram o que a modernidade fragmentou.
Conheça o CEPAO CEPA é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, fundada em 2023 por uma cooperativa de associados do Núcleo Espiritual Rosa de Luz, comunidade espiritualista sediada no Sítio Rosa de Luz, faixa rural sul do município de Mogi das Cruzes.
A iniciativa tem por objetivo a preservação e regeneração da Mata Atlântica e a produção agrícola regenerativa, baseada na agroecologia e na cultura regenerativa, com especial atenção à alimentação orgânica e ao turismo de natureza.
Entendemos que regenerar significa repensar e transformar a nossa relação com a água, o solo, o ar, as pessoas e as paisagens, o que impacta em todos os vínculos que existem em um território. Nossa missão é regenerar a relação do ser humano consigo, com o outro e com a natureza, conservando a biodiversidade em todas as suas esferas.
Pretendemos desenvolver ações sustentáveis para a economia da floresta em pé, por meio de gestão e planejamento agroecológico com manejo holístico de áreas degradadas, restauração de ecossistemas naturais, manutenção de cadeias produtivas de frutas e hortaliças, e alfabetização ecológica.
Estes não são planos. São resultados em processo.
O CEPA ocupa 10,26 hectares em Biritiba Ussu, Mogi das Cruzes, a 70 km de São Paulo. A região integra um dos maiores remanescentes contínuos de Mata Atlântica do estado, na transição entre a Serra do Mar e os mananciais do Alto Tietê.
A Mata Atlântica é um dos principais hotspots de biodiversidade do planeta, com alto número de espécies endêmicas e ameaçadas. Na nossa região, isso tem uma dimensão ainda mais concreta: os fragmentos florestais que protegemos estão diretamente conectados aos reservatórios que abastecem a Grande São Paulo, influenciando a qualidade da água e a estabilidade hídrica de milhões de pessoas.
O Sítio Rosa de Luz, onde o CEPA se localiza, atua com responsabilidade ambiental desde 2002, protegendo dezenas de nascentes e abrigando inúmeras espécies ameaçadas. A área integra a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO como área prioritária para conservação.
O pontapé inicial foi um apiário. O apicultor e osteopata Doca Buchner instalou 5 colméias no sítio, aprendendo o ritmo das floradas, o clima local e a necessidade de disseminar plantas apícolas.
Parceria com a bióloga Larissa de Jesus Silva, da Universidade de Mogi das Cruzes, que desenvolveu dissertação de mestrado sobre a flora de interesse apícola do Alto Tietê, tendo o sítio como campo de pesquisa. O resultado foi um calendário exclusivo do ciclo das espécies em floração no entorno do apiário.
Chegada do agroflorestor residente Rodrigo Polacow. Com maior permanência no território, ele iniciou a implementação do sistema agroflorestal em área degradada, com resultado satisfatório em tempo curto: produção de alimentos, irrigação por captação ecológica, mapeamento de espécies nativas e manejo de mudas em viveiro.
Nascimento formal do CEPA, com a Oficina de Manejo em parceria com Ecofuturo, The Nature Conservancy do Brasil e Atlas Florestal. A parceria viabilizou o acesso ao Programa de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), mecanismo que compensa financeiramente quem mantém, recupera ou melhora as condições ambientais de ecossistemas.
Em 2024, a Atlas Florestal realizou um inventário florestal completo da nossa área de reflorestamento: 9,66 hectares de Floresta Ombrófila Densa com alta diversidade de espécies.
Os resultados foram precisos: potencial de produção de até 184 kg de frutos de Juçara por hectare por ano, potencial evidente para o cultivo de Cambuci, e estoque médio estimado de 373,90 tCO₂e/ha nas áreas com fragmentos de vegetação nativa. São o resultado de décadas de conservação ativa no território.
A equipe técnica da Atlas classificou nossa área como estando em estágio muito bom, inclusive um pouco à frente de outras propriedades do mesmo programa na região. Boa adesão das mudas ao solo, plantas vigorosas, baixa incidência de pragas.
O PSA recebido é integralmente reinvestido na conservação da vegetação nativa e no favorecimento do retorno espontâneo de espécies endêmicas. Visitas técnicas e manejos são realizados trimestralmente desde fevereiro de 2024, somando-se aos frequentes mutirões do nosso centro de práticas.
400 m² de consórcios multiestratificados com banana, mamão, bucha vegetal, cítricos, inhame, mandioca, milho e hortaliças. O sistema virou um laboratório ecossocial: solo em regeneração avançada, matéria orgânica rica, infiltração de água crescente e presença constante de polinizadores.
2.000 m² em reflorestamento produtivo com ênfase em Cambuci e Juçara, duas espécies endêmicas da Mata Atlântica. Já foram plantadas 200 mudas de Cambuci e 200 mudas de árvores nativas. Mais 400 mudas de Juçara estão previstas para o final de 2026, quando as árvores já plantadas tiverem desenvolvido sombra adequada para recebê-las.
O berçário do sítio, com 50 m² de área coberta para germinação e crescimento. Juçara, Cambuci, Aroeira, Ingá, Dedaleiro, Pau-jangada: espécies que garantem autonomia e continuidade das ações no campo.
12 m² de ciclo circular em operação. Todo resíduo orgânico gerado nas cozinhas e atividades do sítio é transformado em composto rico em nutrientes, retornando ao solo como adubo natural. Redução, reutilização, recuperação e reciclagem em ciclo contínuo.
8 colméias com abelhas africanizadas e uma cabana de apiterapia criada em 2022 pelo apicultor e osteopata Doca Buchner, fundador da Apisciência. A prática utiliza mel, pólen, própolis, cera, geleia real e ar de colmeia em tratamentos reconhecidos pelo SUS nas Práticas Integrativas e Complementares em Saúde.
O CEPA não tem patrocinador principal. O que temos é um pedaço de Mata Atlântica, muitas mãos e a clareza de que esse trabalho precisa continuar.
Esperamos que novas versões de nós mesmos brotem através desse encontro com nossos colegas de planeta. Se isso ressoa, sua contribuição entra diretamente no campo: compra de mudas, custeio dos mutirões, manutenção do viveiro, expansão do SAF.
Não existe valor mínimo. Existe intenção.
Organização sem fins lucrativos. Toda contribuição é reinvestida no território.
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